Cuidar de quem sempre nos cuidou

Liziane Bayer

Você sabe o que é o "Junho Violeta"? Possivelmente, não. Pouco ou nada se viu na mídia e em campanhas sobre o mês de conscientização contra a violência e pela dignidade dos idosos. Somos um dos países com maior população longeva — apesar dos impactos da pandemia da Covid-19. Por outro lado, há cada vez menos jovens que, não raro, mudam-se para longe da família, em busca de oportunidades. E fica então a pergunta. Quem cuidará dos mais velhos?

Os idosos são uma parte expressiva da população e têm questões específicas em relação à saúde, aos direitos humanos, à moradia, ao trabalho e outros aspectos que exigem atenção e vozes em sua defesa. Infelizmente, não é o que se vê e nem sempre o que os números mostram. Desde o início da pandemia de coronavírus, houve um aumento expressivo no número de denúncias por meio do Disque 100.

Segundo dados da Justiça do Rio Grande do Sul, atualmente são 11 mil processos em andamento envolvendo idosos. Entre as violências sofridas estão o roubo, furto, cárcere privado, lesões leves e golpes. Não podemos deixar que esse cenário se repita ainda mais. É preciso mobilização também para cuidar e defender os mais velhos.

A terceira idade não é menos importante. Precisamos olhar com atenção e carinho para quem nos criou, nos cuidou e nos inspirou. Isso passa por nossa ação individual e, também, por políticas públicas. Ações de incentivo para quem cuida e programas que envolvam municípios, Estados, União e sociedade civil, em uma rede de apoio são algumas das iniciativas necessárias.

Para cada um de nós, em nossas famílias, os idosos não podem jamais ser um fardo. Ao contrário, cuidá-los é um dever, além de uma honra e uma alegria estarmos próximos a eles, retribuindo-lhes todo o trabalho e cuidado e, ainda por cima, aprendendo. Não é cabível que simplesmente viremos as costas a quem merece gratidão e apoio.

Precisamos repensar essa problemática — como indivíduos e como nação. Nos adaptar às realidades estruturais familiares e econômicas para planejar o cuidado necessário. E isso para o bem dos idosos, é claro, mas também para o nosso bem e de toda a sociedade – afinal, chegaremos lá também. Cuidar de quem nos cuidou é, acima de tudo, cuidar do nosso futuro.


Deputada federal